Quando dois produtos digitais atingem 1 bilhão de usuários cada em um intervalo de meses, o mercado não está apenas crescendo — ele está mudando de natureza. Foi exatamente isso que aconteceu com o ChatGPT e o Gemini. Segundo a TechCrunch, o Gemini se tornou o produto de crescimento mais rápido da história do Google, chegando à marca de 1 bilhão de usuários antes de qualquer outro produto da empresa. O ChatGPT, segundo reportagem do The Verge, atingiu o mesmo patamar quase simultaneamente.
Para quem trabalha com marketing de afiliados, tráfego pago ou criação de conteúdo para vender online, esse número não é apenas uma estatística de tecnologia. É um sinal de que o comportamento do consumidor está sendo reescrito em tempo real — e quem não perceber isso agora vai sentir na conversão daqui a pouco.
O que “1 bilhão de usuários” significa na prática para o funil de vendas
Durante anos, o funil do afiliado funcionou com uma lógica previsível: o usuário digitava uma palavra-chave no Google, clicava em um resultado orgânico ou anúncio, chegava a uma landing page e convertia (ou não). Simples, linear, relativamente controlável.
Esse funil está sendo redesenhado por fora e por dentro.
Quando 1 bilhão de pessoas usam o ChatGPT e outro bilhão usam o Gemini, uma parcela crescente desses usuários está delegando a etapa de pesquisa para a IA. Em vez de abrir o Google e comparar cinco abas, o consumidor pergunta:
“Qual é o melhor suplemento para ganho de massa que não cause problemas digestivos?”
A IA responde. Às vezes cita fontes. Às vezes recomenda produtos diretamente. Raramente o usuário vai até a página dois de qualquer resultado.
Isso cria um fenômeno novo para o afiliado: você pode estar perdendo cliques mesmo com ótimo ranqueamento, porque a jornada do comprador está acontecendo antes de ele chegar ao seu conteúdo — dentro de uma interface de chat que você não controla diretamente.
O VentureBeat destacou que o Google redesenhou sua caixa de busca pela primeira vez em 25 anos — um movimento simbólico que traduz exatamente essa pressão: até o próprio Google sabe que precisa se reinventar diante da IA conversacional.
O que muda no funil:
- Topo do funil (consciência): parte está migrando para dentro das IAs, que “educam” o usuário antes de ele chegar ao seu conteúdo
- Meio do funil (consideração): o usuário chega mais informado, mais exigente e com menos paciência para argumentos genéricos
- Fundo do funil (decisão): a IA pode estar recomendando concorrentes seus sem que você saiba
Como posicionar suas ofertas para um público que usa IA como assistente de compras
A boa notícia: você pode usar as mesmas IAs para entender como elas falam sobre os produtos que você promove — e otimizar seu conteúdo a partir disso.
Isso não é especulação. É uma mudança estratégica real que afiliados atentos já estão implementando. Aqui estão os movimentos práticos:
1. Teste sua oferta dentro do ChatGPT e do Gemini
Abra o ChatGPT ou o Gemini e pergunte sobre o produto ou nicho que você promove. Observe:
- Como a IA descreve o produto?
- Quais objeções ela levanta?
- Ela menciona concorrentes? Quais?
- Ela recomenda algum critério de escolha que você não está usando no seu conteúdo?
Isso é pesquisa de persona gratuita e em tempo real. Use as respostas para calibrar sua copy, seus headlines e sua argumentação de venda.
2. Produza conteúdo que a IA quer citar
As IAs treinam com conteúdo público. Conteúdo bem estruturado, com dados verificáveis, comparações honestas e linguagem clara tem mais chance de ser absorvido como referência pelos modelos — e consequentemente influenciar as respostas que eles dão.
Isso significa: menos clickbait, mais substância. Menos listas genéricas de “top 10”, mais análises aprofundadas com critérios claros.
3. Aposte em formatos que a IA não substitui
Vídeo com rosto, depoimento em áudio, conteúdo em comunidade fechada, eventos ao vivo — esses formatos têm algo que nenhuma IA replica facilmente: presença humana e prova social em tempo real. Quanto mais a IA avança, mais o componente humano do conteúdo se valoriza como diferencial.
Quais canais e formatos ficam mais estratégicos agora
Com o avanço da IA no comportamento do consumidor, alguns canais ganham peso e outros perdem:
Canais que ganham relevância:
- E-mail marketing: a IA não lê sua lista. Sua base de e-mails é um ativo que você controla 100% e que não está sujeito à intermediação de nenhum algoritmo ou chatbot.
- YouTube e vídeo longo: conteúdo em vídeo ainda é consumido diretamente pelo usuário e tem presença humana — dois fatores que a IA não substitui na jornada emocional de compra.
- Comunidades no WhatsApp, Telegram e Discord: ambientes de confiança onde a recomendação humana ainda domina sobre qualquer sugestão automatizada.
- Conteúdo com dados originais: pesquisas próprias, testes pessoais, cases reais — o tipo de informação que a IA não tem e precisa buscar de algum lugar.
Canais que exigem adaptação urgente:
- SEO tradicional baseado em volume de palavras-chave: continua importante, mas precisa evoluir para incluir otimização para respostas de IA (o que alguns já chamam de AEO — Answer Engine Optimization)
- Tráfego pago: não está em declínio, mas o custo por aquisição tende a subir se o usuário chega à sua landing page já “parcialmente convertido” pela IA de um concorrente
O que fazer agora no tráfego pago:
- Crie anúncios que ativem urgência e emoção — aspectos que a IA analisa, mas não provoca com a mesma eficiência
- Teste criativos que reconhecem o novo comportamento do consumidor (“Você já pesquisou sobre X na IA? Aqui está o que ela não te contou…”)
- Segmente por intenção de compra avançada, não apenas por interesse genérico
O afiliado que entender isso antes vai levar vantagem — por quanto tempo?
A janela de oportunidade para se adaptar antes que a concorrência perceba o que está acontecendo é real, mas não é infinita. O Gemini bateu 1 bilhão de usuários mais rápido do que qualquer produto na história do Google, conforme apontou o Ars Technica. O ChatGPT chegou ao mesmo marco em velocidade igualmente impressionante. Esses não são números de adoção tecnológica — são números de mudança de hábito.
Hábitos de pesquisa mudam o que as pessoas compram, como compram e de quem compram.
O afiliado que continuar produzindo conteúdo no modelo de 2022 — SEO de volume, copy genérica, landing page padrão — vai sentir a erosão gradual das conversões sem saber exatamente de onde vem o problema.
O afiliado que entender que a IA agora faz parte do funil do seu cliente — e não é uma ameaça externa, mas um intermediário que pode trabalhar a seu favor — vai encontrar espaço onde os outros estão recuando.
A adaptação não exige abandonar o que funciona. Exige adicionar uma camada nova de estratégia sobre o que já existe:
- Entender como as IAs falam sobre seus nichos
- Produzir conteúdo que serve tanto ao algoritmo do Google quanto ao contexto de treinamento das IAs
- Diversificar canais para não depender de um único ponto de contato com o consumidor
- Usar a IA como ferramenta de pesquisa, criação e otimização — não como substituta do seu posicionamento
Esse é o cenário. Não é catastrófico, mas exige movimento. Quem se mexer agora vai estar posicionado quando a maioria ainda estiver tentando entender o que mudou.
Se você quiser ferramentas práticas para começar essa transição — prompts, estruturas de conteúdo e estratégias de tráfego adaptadas para o momento da IA — continue acompanhando o Blog do Bufano. Esse é exatamente o tipo de conteúdo que produzimos aqui.



